Por que queremos mais?

 

Eu tenho essa sensação de que a vida criativa nos leva a lugares novos. Nos coloca na trilha do extraordinário. Nos tira da zona de conforto em tempos de mesmice. Sabe como?! Aquele limbo que insiste em te pegar…

 

Nos últimos dois anos, eu mergulhei em leituras de todos os tipos sobre a vida criativa. Li, reli, assisti, e fiz um auto-estudo-reflexão de um possível padrão pra ela, ou melhor, se há, de fato, um padrão para viver o extraordinário. Olha só, nesse mundo instantâneo em que vivemos, à beira da singularidade, o que leva uma vovó de 85 anos a bater o recorde mundial escalando o Monte Kilimanjaro na Africa? O que faz uma jovem adolescente explodir em emoção grafitando a parede do quarto? Ou uma criança de 10 anos colocar na cabeça que quer colonizar Marte? O que move nossa curiosidade? O que nos faz ir mais longe?

Ziller Kausch Kilimanjaro Africa

Ziller e Maximo Kausch à caminho de Barafu, último acampamento antes do cume do Kilimanjaro | Foto: Gabriel Tarso

Jason Silva, futurista e filmmaker, criador da série Shots of Awe e apresentador da série Brain Games da National Geographic afirma que é o tal ‘awe’ que nos tira do lugar. Para Stephen Kotler, autor do best seller ‘Super-Humanos’, a recompensa cerebral de romper um padrão é tão prazerosa que vicia. O livro de Kotler monta a teoria do ‘estado de fluxo’, responsável por manter nosso cérebro eufórico. Em outras palavras, no modo ‘quero mais’.

 

Desde o início do projeto 7CUMES que estou no ‘estado de fluxo’. Esse era meu objetivo, reencontrar o extraordinário. Minha última Expedição, ao Monte Kilimanjaro, foi um grande capítulo de como o modo ‘quero mais’ age em nosso cérebro. O Kilimanjaro é a maior montanha da África com 5.985 m de altitude. Está localizado na Tanzânia, aproximadamente três graus de latitude norte. Isso faz com que o início da escalada seja dentro de uma floresta equatorial de vegetação riquíssima, variada e imponente. Esse cenário me surpreendeu por três dias inteiros, literalmente montanha adentro. Um susto atrás do outro.

monte kilimanjaro africa

No plano, vegetação equatorial, no fundo, o Kilimanjaro e seu pico nevado

Na medida em que se ganha altitude, a vegetação desaparece e entro no mundo das pedras vulcânicas. Aquele visual que muitas vezes lembra outro planeta. É mais perto do céu. A luz das estrelas reflete incessantemente nas rochas da montanha e me atira em uma explosão de brancos, cinzas e amarelos. Fogos de artifício naturais. Orgânicos. Não há palavra que descreva a luz da montanha. Extraordinário, talvez.

 

O Kilimanjaro surpreende novamente quando a vegetação imponente volta a te acompanhar, mas dessa vez acima de 4500 m. Como assim? Árvores que poderiam estar nas ilhas flutuantes do cenário do filme Avatar, cachoeiras cristalinas, flores diversas… de novo, não há uma única palavra que descreva a jornada.

 

Esse ‘tapa na cara’ foi acompanhado de muito papo com meu guia local, o Teacher, líder da Expedição #7CUMESKilimanjaro. Ele é o guia de montanha mais experiente do Kili com 609 ascensões ao cume, a minha Expedição foi a 610. Vou repetir, Teacher subiu o Kili seiscentos e dez vezes, todas elas com sorriso largo. Foi carregador em apenas três delas, porque na quarta, o líder da Expedição não falava inglês, mas Teacher, aos 16 anos, falava. Foi chamado às pressas no escritório da empresa Zara Adventures, onde trabalha até hoje. Passou por uma entrevista e pronto, outra vez na montanha, mas como guia assistente.

Ziller Kilimanjaro Africa

Gustavo Ziller e o guia Teacher a 4700 m de altura, prestes a atacar o cume do Kilimanjaro | Foto: Gabriel Tarso

Sub-escrevo: tem uma característica comum ao Teacher, Jason e tantas outras pessoas que querem mais, que não se contentam com o ‘destino’ que lhes são dados ou coisas do tipo. Eu acredito, exageradamente, que seja a vida criativa.

Te convido a refletir comigo.

Stay tuned!

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