Projeto

Na segunda metade do ano passado, um ambicioso e importante evento conectou áreas nunca antes exploradas nas regiões andinas ao mundo moderno, além de desvendar ruínas ancestrais de civilizações latinoamericanas. Graças a pessoas incríveis, focadas em desbravar novos locais em nosso planeta! A Expedição Montanhas Virgens nos Andes, idealizada pelo montanhista argentino/brasileiro Maximo Kausch e a pesquisadora física inglesa Suzie Imber, tinha como objetivo a conquista de áreas inabitadas ou inexploradas nos Andes, precisamente, entre Chile e Argentina. Além disso, encontrar antigas ruínas Incas identificadas através de mapeamento geográfico de última tecnologia.

 

Prêmio

O projeto venceu o concurso anual promovido pelo órgão internacional Mount Everest Foundation, que premia os vencedores com financiamento de expedições exploratórias. No ano de 2015, a Expedição Montanhas Virgens dos Andes venceu, levando Maximo, Suzie e o geógrafo brasileiro Pedro Hauck para regiões inóspitas a mais de 400km de distância das cidades habitadas mais próximas, no Chile e na Argentina. A expedição foi concluída em novembro de 2015, com sucesso! Maximo Kausch, experiente montanhista, escalou algumas das montanhas virgens mais altas dos Andes, com mais de 5000 m de altura, e também nomeou diversas dessas montanhas.

 

maximo kausch expedição andes

 

A SPOT Brasil apoiou todo o projeto, fornecendo a tecnologia satelital para comunicação e segurança da equipe, que foi monitorada através de um mapa em tempo real. Na volta, entrevistamos o grande líder da expedição, ser humano peculiar e inspirador, e agora disponibilizamos para toda a comunidade SPOT Brasil. Veja na íntegra:

 

SPOT Brasil: Você já subiu algumas das maiores montanhas do mundo, onde conhecia o trajeto, as técnicas, e agora está subindo montanhas virgens, trilhando e descobrindo o próprio caminho. Quais são as diferenças principais entre as montanhas extremas famosas e as montanhas virgens?

 

Maximo Kausch: Olha, muitas vezes mesmo conhecendo o caminho sempre há que adaptar e mudar algo. Eu, por exemplo, já escalei o monte Cho Oyu no Tibet (8210 metros de altitude) 5 vezes! Cada vez que fui era uma montanha diferente. Portanto há sempre que improvisar. A grande diferença agora é que não estou guiando e meus amigos sabem se virar bem na montanha. Portanto tenho muito mais liberdade de ir na velocidade que eu bem entender. Escolher linhas novas a seguir nestas montanhas é como uma arte. Escolher uma linha bonita e confortável é como pintar um quadro!

 

SB: Você já guiou muitas expedições em alguns dos mais altos e difícies cumes do mundo. As montanhas virgens serão um novo destino para as expedições?

 

MK: Quero levar clientes para algumas dessas montanhas. Obviamente as que tem ecossistemas frágeis eu não vou explorar comercialmente. Mas algo que quero inovar sem dúvida, é levar clientes para cumes virgens. Quero que mais pessoas possam ter a sensação de serem os primeiros a pisar num cume. Não tenho a ambição ou ego de ser o primeiro a fazer tudo. Quero dividir isso com mais pessoas fora os meus amigos.

 

O trio no cume de uma das diversas montanhas virgens exploradas na expedição

 

SB: Qual foi o seu maior desafio pessoal em montanhas?

 

MK: Em montanhas estou bem confortável, mas uma vez tive que ir num cartório fazer uma coisa chamada “procuração”. Isso foi muito difícil para mim pois não entendo nada sobre burocracias. Quando eles pedem CPF para tudo eu sofro bastante também. Meu desafio pessoal agora é o de terminar o meu projeto de montanhas de 6000 m nos Andes. Me deram o recorde mundial com 59 montanhas e já escalei quase 70. Vou tentar acabar esse projeto e continuar com outro. Acho que é um grande desafio mas não é impossível. Agora impossível mesmo é entender coisas como imposto de renda, etc, isso sim é difícil!

 

SB: Quais são os riscos envolvidos nessa expedição?

 

MK: Existem riscos com o carro, por exemplo. Se o carro quebrasse em alguns lugares específicos estaríamos bem expostos e teríamos que caminhar muito para sair dali. Há também riscos de saúde, lidamos com temperaturas muito baixas, portanto sempre há o risco de congelamentos graves. Muitas vezes podemos tirar a luva e expor as mãos por até 30 segundos, pois a mão começa a congelar. Também tem os problemas causados por altitudes extremas como edema pulmonar, edema cerebral, edema de retina, mal da montanha, etc. Para prevenir esses riscos tentamos nos acostumar lentamente com a altitude, mas mesmo assim, sempre tem o risco. Também tem os riscos de quedas durante as escaladas, há locais bem expostos. Existem glaciares e placas de neve bem escorregadias. Lugares com muitas pedras soltas e com muitos riscos de tomar pedradas. Enfim, melhor eu parar de escrever essas coisas senão eu mesmo vou ficar com medo (hahaha)! Mas para qualquer um dos problemas podemos usar a tecnologia SPOT para chamar o resgate pois já está tudo cadastrado e seríamos encontrados facilmente.

 

maximo kausch montnahas virgens expedição andes

 

SB: Qual é o papel do SPOT Gen3 no projeto?

 

MK: Não é apelativo hoje dizer que eu nem começaria o projeto sem ter o meu SPOT Gen3. É só olhar no nosso mapa interativo para ver o quão remotas são as áreas onde escalamos. Todos os 3 concordamos em que podemos arriscar bem mais e ir para lugares cada vez mais remotos só por termos os nossos aparelhos. Sem a ajuda da SPOT, ficaríamos bem limitados para explorar regiões como os arredores do Sierra Nevada e Laguna Brava. Faz 20 dias que começamos o projeto e sempre que estamos nos movendo, colocamos as unidades em modo Siga-Me (que rastreia nosso movimento em tempo real, alimentando no mapa nossa trajetória completa). Sempre que achamos um lugar para acampar apertamos o Check-In/OK, e sempre que chegamos num cume enviamos uma mensagem personalizada que eu programei para dizer que fizemos algum cume!

Tem a família e amigos dos 3 que está sempre seguindo o nosso paradeiro e é realmente uma mão na roda deixar a galera despreocupada apertando um botãozinho. Fora isso, somos alpinistas e usamos a confirmação da SPOT para provar que realmente estivemos no cume de certas montanhas. Muitas vezes, faz tanto frio que a câmera congela e não dá nem para tirar fotos. O SPOT é como se fosse o nosso anjo da guarda, peça chave no projeto exploratório dos Andes.

 

SB: Quando o projeto acabar, qual o seu próximo passo?

 

MK: Tenho alguns dias para descansar no Brasil e planejar a minha próxima expedição para a Antártida. Tenho também que cuidar da minha empresa, que é a maior agência de expedições de alta montanha do Brasil. Mas não quero nem pensar em sair daqui, escalar e explorar montanhas é a essência do que eu faço!

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1 Comment

  1. MUY BIEN MAXIMO, SEGUI ADELANTE, QUE TU SUEÑO LLEGUE HASTA EL CIELO. SI HAY LAGRIMAS, A SECARSE CON EL PAÑUELO NEGRO DE LA NOCHE.

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