Muitos conhecem seu trabalho sem nunca ter visto seu rosto, mas Gabriel já está acostumado. Aliás, como bom fotógrafo e cinegrafista, sempre que trabalha, seu rosto se esconde por trás das câmeras (literalmente), e ele mergulha no mundo das imagens, a fim de produzir as melhores, seja pra onde for. Fotógrafo oficial do Projeto 7CUMES, do Gustavo Ziller, com vários projetos para o Canal Off e com a própria produtora de filmes, Gabriel Tarso, de apenas 28 anos é um nome forte quando se fala de fotografia outdoor, não só no Brasil. Já trabalhou para projetos grandes e pequenos, comerciais de tv e internet e também em séries pra tv fechada, atuando como fotógrafo, cinegrafista, editor, produtor e diretor.

Segundo alguns experts da montanha que já escalaram com Gabriel, o fotógrafo, além de ser brilhante nos cliques, é também super habilidoso e preparado para encarar desafios outdoor nas montanhas! Com o projeto 7CUMES, Gabriel já conquistou o cume do Aconcágua, na Argentina, Kilimanjaro, na África, e do Elbrus, na Rússia. Além disso, tem outra série de montanhas no currículo. A SPOT Brasil, por reconhecer o incrível trabalho de Gabriel fez essa entrevista exclusiva, onde exploramos ambos os lados: o aventureiro e o curioso da fotografia. Confira!

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Gustavo Ziller no Aconcágua | Foto de Gabriel Tarso

SPOT Brasil: O que veio primeiro, a paixão pela fotografia ou pelos esportes radicais? Comente sobre as experiências que o levaram a se tornar fotógrafo e aventureiro.

Gabriel Tarso: Eu cresci no interior de São Paulo em uma cidade chamada Cruzeiro, rodeada por montanhas. A Mantiqueira, Pico dos Marins, Pico do Itaguaré e Serra Fina decoravam a janela do quarto. Desde pequeno curtia muito ilustrar e retratar o cotidiano. Eu me inspirava muito no meu irmão quando criança e passávamos o dia inteiro desenhando e fantasiando paisagens! Posso dizer que ele foi a grande referência artística da minha carreira que se iniciou mesmo em 2006, quando trabalhava como designer em uma agência de publicidade.

Comecei com fotografia de publicidade, stills, depois fiz freelas de fotografia social e posteriormente também como cinegrafista.

Tinha uma Canon velha que vivia dando pau no obturador. A única maneira de resolver o problema era tirar e recolocar a bateria (uma eternidade suficiente para perder o shot perfeito).

Depois, passei a fotografar paisagens e as aventuras com os camaradas na Mantiqueira.

Antes disso, eu já me considerava um montanhista quando decidi viver da fotografia. Mas, quando eu conheci o Max, descobri que eu não passava de um mero gafanhoto. Então, levando isso em consideração: primeiro a fotografia… Um dia eu me torno um montanhista!

Você tem preferência em fotografar algum esporte? Qual?

Não tenho. Cada esporte tem sua característica, mas confesso que unir pessoas a uma paisagem de tirar o fôlego é um prazer diferente. Não existe melhor sensação de conseguir um registro intrigante, de despertar nas pessoas sentimentos de inspiração.

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Gabriel Tarso fotografando em Berlim, ponto a  6000 m de altura, antes do cume do Aconcágua

Quando você começou a fotografar expedições em montanhas? Por quê?

Eu comecei fotografando minhas próprias expedições, o que fazia com o maior prazer, registrando amigos e paisagens. Motivo este que me levava a ser sempre o  último a entrar na barraca à noite. Isso sempre me trouxe o maior prazer.

E a produção de vídeos, quando começou? Por quê?

Em 2009, eu iniciei minha faculdade de Design, mas migrei, em 2011, de uma agência de publicidade para me dedicar ao motion design. Trabalhei em algumas produtoras e redes de tv como editor de pós e finalização. Foram vários freelas e dores de cabeça até eu pirar com tudo isso. De lá pra cá eu comecei a me dedicar ao que eu realmente amava fazer.

Fundei com um amigo um estúdio com intuito de atender marcas do ramo outdoor. No início, a gente se matava para oferecer todos os serviços e soluções multimídia. Durante um ano produzíamos peças publicitárias, tercerizávamos o que a gente não dominava e no fim do mês acabávamos com a mesma dor de cabeça. Vimos que loucura mesmo era querer abraçar o mundo. Larguei tudo de novo e parti para melhor parte do trabalho: a parte que acontece longe do escritório e de qualquer zona de conforto! Hoje eu me dedico a captar nos ambientes mais hostis. Seja na montanha, floresta ou qualquer terreno. Estar do lado de lá é a melhor sensação do mundo!

Qual é a diferença entre filmar e fotografar nas montanhas?

A responsabilidade é a mesma. São técnicas diferentes aplicadas no mesmo terreno. Geralmente, para gravar eu preciso de muito mais equipamentos, mais pesados às vezes. O que implica um melhor planejamento , logística, etc.

Como é a sua preparação física para as expedições?

Eu tento, na medida do possível, estar preparado o ano todo. Já me contrataram para trabalhos exigentes e complexos com apenas uma semana de antecedência! Isso me custou uma baita dor no joelho. Mas, eu não tenho um treinamento específico. Basicamente tento pedalar, correr, escalar e estar na montanha o máximo de tempo livre possível.

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“Autoretrato na Mantiqueira” – Timelapse feito por Tarso

Nas expedições, sua única função é filmar e fotografar ou você assume outras tarefas com o grupo? Comente sobre o seu dia a dia nas montanhas.

Varia. Isso acaba sendo bem relativo dependendo do contratante,  do projeto, e do meu envolvimento nele. Agora em fevereiro no Aconcágua por exemplo,  precisei assumir uma certa independência. Diferente das expedições do 7 cumes, eu passei muitos dias em solitário aguardando o momento de gravar, além de cozinhar, derreter neve e portear alguns equipamentos lá pelos 6000m.

 

Você é diretor de fotografia e cinegrafista das expedições que fazem parte do projeto Sete Cumes, para o Canal OFF. Você já se colocou em situações de risco para não perder um registro? Comente sobre ele.

Acho que o risco é relativo. As pessoas me enviam para produzir conteúdo e, levando isso em consideração, o risco mesmo seria se eu não o fizesse. Situações assim sempre existem, mas no final, sempre se tornam histórias engraçadas para contar. Como uma vez, quando eu gravava em uma reserva no Paraguay, passei apuros para recuperar todo meu equipamento que ficou perdido no caminho, enquanto corria após ser atacado por um enxame de vespas vermelhas. Depois de algumas ferroadas, tudo foi recuperado!

No 7Cumes, na Rússia, eu achei que ia morrer quando um russo de 2m de altura chegou gritando sem eu entender uma palavra e apontando o dedo na minha cara, enquanto gravava o Ziller indo às compras no supermercado antes de escalar o Elbrus. Só depois descobrimos que ele vendia palmito ilegal no mercado e o fato de eu estar com uma camera na mão, deixou ele um pouco desconfortável. Mas, no geral, graças à parceria do meu “tio” Max e do Ziller, as gravações vêm seguindo com um plano impecável, reduzindo muito as chances de algo errado nas expedições.

 

Gabriel Tarso Fotógrafo

A série 7Cumes é seu primeiro projeto para a TV? O que está achando de ver suas imagens exibidas para todo o Brasil? Tem outros projetos similares para o futuro?

Não é meu primeiro, mas me dá um orgulho danado! A sensação é indescritível. Não existe sensação melhor do que inspirar pessoas. As imagens são lindas, histórias inspiradoras. Vale lembrar que o time que torna isso possível tem ainda maior responsabilidade na produção dos episódios. Créditos esses para o pessoal da Produtora Célula, responsável pela montagem dos programas, das edições, escolhas das trilhas.

 

Muitas pessoas que nunca tiveram experiência em montanhas acreditam que este é um esporte restrito apenas a um grupo de pessoas. Você acredita que seus registros podem ajuda-los a ter uma visão diferente do montanhismo?

Com certeza! O montanhismo não só é um esporte como uma experiência e estilo de vida também, que pode ser vivido por qualquer pessoa. Fico muito lisonjeado quando contribuo com uma pessoa a menos no sofá.

 

Quais montanhas você ainda gostaria de conquistar? Por quê?

Eu ainda não conheço a região do Yosemite. Fico imaginando produzir uns timelapses (filmes de longos períodos de gravações acelerados, dando a impressão de que o tmepo passou rápido) daquela região. Seria fantástico!

 

Qual foi a aventura que mais te marcou como atleta? E como fotógrafo? Por quê?

Que mais marcou eu não sei, mas uma que me traz boas risadas aconteceu ano passado no pantanal. Nos metemos em uma furada, quando decidimos, com pouca água, comida e informações, procurar um PC no meio da mata fechada para cruzar com alguns atletas que disputavam a final do mundial de aventura. Eu estava equipado com todas as baterias, lentes, tripés, câmeras e o drone nas costas, preparado para um trekking de 2h que no fim das contas durou 24h. No final deu tudo certo, a gente voltou dando risada das cagadas e encontrando pegadas de onça por todo caminho. Mas como fotógrafo, sem dúvidas, o contato com a tribo Massai na fronteira do Quênia e Tanzânia. O olhar simples daquele povo me fez repensar alguns valores.

 

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Atleta de Mountain Bike, Tiago Custódio | Foto de Gabriel Tarso

 

Quem é sua inspiração na fotografia?

O fotógrafo Scott Rogers, foi uma das principais inspirações no início da minha carreira. Sem falar no Renan Ozturk e Jimmy Chin. Ambos diretores e fotógrafos mais punks dos últimos tempos.

Qual é a importância de aparelhos como o SPOT Gen3 para o seu trabalho?

Por um ângulo perfeito, muitas vezes a gente se arrisca, sai de uma trilha demarcada, escolhe um caminho alternativo e acaba se expondo mais do que deveria. Com o SPOT Gen3 eu fico mais seguro. Vou para qualquer lugar tendo a certeza que se precisar de ajuda, o terei em minhas mãos!

Que dica você daria para os jovens fotógrafos que pretendem se especializar em esportes radicais?

Empenho, dedicação e muita, mas muita prática! É nos perrengues e nas situações mais adversas que a gente evolui!

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Alpinista Thales Ferreira | Foto Gabriel Tarso


Veja mais de Gabriel Tarso em:

https://www.instagram.com/gtarso_ | https://facebook.com/gtarso | https://vimeo.com/gtarso

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3 Comments

  1. Diogo Atadini disse:

    Fã número 1 desse cara que conheci há mais de uma década atrás! Sucesso nas alturas, rapaz!
    Parabéns a todos os envolvidos!

  2. Luiz Fernando disse:

    Conterrâneo orgulhoso desse cara!

    Parabéns.

  3. dayse disse:

    deve ser muito legal a experiencia. parabens pelo post adorei

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