A expedição médica para Zanskar, na Índia, surgiu de um convite da canoísta e produtora Katie McPherson, uma americana apaixonada pelo Brasil, que vem para cá todo ano com o marido, o cinegrafista Ryan. Assim como eu, os dois viajam o mundo gravando aventuras incríveis e, por este motivo, convidaram a Pitaya Filmes para fazer a coprodução de um documentário sobre essa viagem.

Quando eu soube que se tratava de um projeto voluntário médico, não pensei duas vezes e logo me ofereci para ajudar no que fosse preciso para que esse trabalho fosse o mais efetivo possível. Nessas horas é impressionante como o meu lado “médica” fala mais alto do que meu lado “televisivo”.

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Karina Oliani fazendo uma refeição com moradores de Zanskar. Foto: Andrei Polessi.

Eles me colocaram em contato com a Valerie, uma enfermeira de Montana, EUA, que dedicou sua vida em missões médicas nas áreas mais inóspitas do planeta. Ela já trabalhou em campo de refugiados, atendeu vítimas de catástrofes e agora está a frente da organização Hands on Global. Era ela quem estava organizando a ida de uma equipe de americanos a Zanskar, e minha empatia ao seu projeto foi imediata.

Valerie me disse que não havia médicos e especialistas suficientes para essa expedição. E foi aí que o Instituto Dharma entrou em cena! Formamos um grupo de 11 voluntários brasileiros, com médicos de diferentes especialidades, que passariam 5 dias viajando só para chegar no remoto vilarejo de Zanskar, que fica na região da Caxemira, entre a Índia e o Paquistão, para atender no “Dalai Lama Hospital”.

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Karina Oliani atende paciente idosa em Zanskar, na Índia. Foto: Andrei Polessi.

Mesmo sem saber o que encontraríamos no caminho, todos nós estávamos dispostos a sair da zona de conforto e levar alívio e esperança para essa região, conhecida por seus próprios moradores como “fim do mundo”. Lá, tratamos desde emergências em que tivemos que transferir pacientes para cidades mais próximas (2 dias de lá), até casos cardiológicos, onde a Dra. Renata Fogarolli, médica pediatra do INCOR de SP, fez um lindo trabalho atendendo crianças com defeitos de válvula e problemas cardíacos congênitos.

A preocupação com alguns pacientes que atendi em Zanskar me acompanha até hoje, pois após ter encaminhado ao menos 5 pacientes para cirurgia, não tive mais notícias de alguns deles. A angústia de não saber o que aconteceu é muito grande, por isso minhas tentativas de contato não vão parar até saber se eles sobreviveram.

As condições de saúde na Índia são bem precárias. Diferentemente do Brasil, lá, quem precisa de um transplante de coração, deve desembolsar cerca de 100 mil dólares! Ou seja: é pagar ou morrer! Meus pais sempre me disseram: “esse mundo não é justo mesmo”. Mas eu acredito que podemos deixá-lo um pouquinho melhor se cada um fizer a sua parte!

Após nossos 15 dias na Índia, tivemos a incrível oportunidade de conhecer o Dalai Lama, um ser humano muito evoluído e especial. Foi mágico! Só pelo olhar é possível sentir sua bondade e compaixão com o próximo. Se a gente quer que o mundo seja bom, então temos que ser bons para o mundo. Temos que fazer o que queremos receber de volta. E a Vossa Santidade, o 14º Dalai Lama é exemplo vivo disso.  Me senti abençoada por ter tido a chance de conhecê-lo.

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Karina Oliani e Dalai Lama, ao final da missão médica em Zanskar. Foto: Andrei Polessi.

Depois de encerrar a viagem com chave de ouro, voltamos para casa. Recarregados, reenergizados e com a certeza de ter feito uma pequena mas importante parte na construção de um mundo melhor. Recomendo a todos que um dia já tiveram vontade de contribuir com trabalho voluntário, que o faça! Certamente será uma das experiências mais enriquecedoras da sua vida. E quando for, tratando-se de um território remoto como os Himalaias, é importante pensar na comunicação, recomendo levar seu SPOT.

Na Caxemira, por ser uma região altamente militarizada, assim que chegamos no aeroporto nosso telefone por satélite foi confiscado. Nesses lugares, por conta das guerras que acontecem por lá, o uso do telefone é proibido. Graças ao SPOT Gen3, se nosso grupo do Dharma tivesse uma emergência, eu poderia acioná-lo e garantir o resgate.

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Pequena moradora de Zanskar sorri para a foto. Foto: Andrei Polessi.

 

Créditos das fotos: Andrei Polessi

Agradecimentos: PUMA, Instituto Dharma e todos os profissionais que se doaram para esse projeto

 


Texto enviado na íntegra por Karina Oliani em Julho de 2017. Veja outros posts da atleta clicando aqui.

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