A hora do pesadelo de Breno Bizinoto | Sexta-Feira 13

Faltando uma semana pra sexta-feira 13, eu estou em uma subida macabra de 20 km pra chegar em Potosí, na Bolivia, e quem eu encontro no meio do acostamento dando sinal pra eu parar?

Um Freddy Krueger com as botas todas sujas de sangue.

Entendi como um pedido de carona e o amarrei no meu bagageiro, igual um pau de rato (como os motoqueiros tem costume de dizer). Não sei qual mensagem o Freddy estava passando alí atrás pros caminhoneiros que tiravam fino da gente, mas quando eu parava a bicicleta, parecia um show de horrores com tanta gente se assustando com a bizarrice.

As crianças, que já ficavam curiosas com a bicicleta, agora estavam quase engolindo meu equipamento pra ver o Freddy Krueger. Eu parei de escutar “Tá vindo de onde? Pra onde vai?” e comecei a ouvir “Que é esse demônio que você tá carregando? Você trouxe isso do Brasil? Esse capetão é o seu companheiro?”. Aí eu deixei de ser ciclista e virei o louco que carrega o Freddy Kruegger na bicicleta. O resto das malas só poderiam ser velas pretas, cabças de gato morto, etc.

Decidi que não vou me meter com essa maldição na sexta-feira 13, não. A próxima senhora que me perguntou o que era o boneco – se passaram só 5 minutos e isso aconteceu de novo – vendia uma mistura de charque com maiz. Passei pra ela a o demônio da rodovia em troca da comida típica. Se a comida não estava lá essas coisas, imagina a maldição do boneco sem dono.

Ela disse que vai levar pro filho dela. Assim acho que o Freddy não vai pesar tanto: o menino deve demorar alguns anos pra querer atravessar a América de bicicleta. Será essa a maldição que eu deixei alí?

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