De volta à Patagônia, com Guilherme Cavallari

Depois de não sei quantas viagens à Patagônia — uma delas de seis meses de duração, que gerou o premiado filme-documentário Transpatagônia e o consagrado livro Transpatagônia, pumas não comem ciclistas —, já considero a região como “o quintal de casa”… Mas o problema é que esse “quintal” parece não ter fim.

Tenho diversos “assuntos pendentes” na Patagônia… Lugares que ainda não conheço, trilhas que não percorri, histórias que não entendi por completo e experiências que faltam no meu currículo. Após quatro anos de ausência na região, decidi retornar e levar alguns aventureiros comigo. Gente interessada em desfrutar a intensidade vital que sempre caracteriza minhas passagens por essas terras austrais.

Guilherme Cavallari Patagonia

Alguns rios eram fáceis de cruzar e no começo ninguém queria molhar os pés.

Como vem acontecendo todos os anos, há bastante tempo, em 2017 ministrei diversas turmas do curso de trekking e algumas turmas do curso de bikepacking que desenvolvi em 2016. Os alunos mais empolgados, mais interessados e com maior disponibilidade que participaram desses cursos se inscreveram e foram selecionados para a temporada de verão da Patagônia que relato aqui. Para participar da aventura austral os requisitos necessários eram um misto de forma física, equipamento e personalidade. Nada complicado. Não era preciso ser atleta, não era obrigatório ter uma montanha de equipamento top e nem passar por uma bateria de testes psicotécnicos.

Na primeira etapa da temporada, percorremos 609 km em 12 dias pela Patagônia chilena. Nessa viagem, o elemento de exploração foi o Valle Exploradores, uma importante ligação do gigantesco Lago General Carrera com o Oceano Pacífico. Um cenário de montanhas escarpadas, geleiras e cachoeiras monumentais. Já na segunda etapa, caminhamos por cerca de 146 km, da entrada da Reserva Nacional Jeinimeni até um ponto da trilha que circunda a Reserva Nacional Tamango, de onde tivemos uma visão panorâmica privilegiada. Desse ponto, conseguíamos ver o Valle Avilés, o Cordón Chacabuco, a silhueta sinuosa do vale do Lago Cochrane serpenteando também em direção leste. Tudo diante dos nossos olhos. Chegamos a sede da reserva completando 142 km em 11 dias de caminhada com 4.200 m subidos e 3.560 m descidos.

Guilherme Cavallari Patagonia

A estrada do Valle Exploradores rasgou um caminho estreito nos bosques, com fileira contínuas de árvores dos dois lados.

Como esperado, conhecemos personagens dignos de contos por todo essse caminho, ficamos boquiabertos diante de cenários cinematográficos, sofremos pequenos acidentes e fomos confrontados com nossos limites pessoais de forma regular. Saímos de casa com roteiros a cumprir, limitados pelo cronograma imposto por nossas obrigações pessoais e profissionais, parcialmente cientes de nossos potenciais e nossas deficiências.

Cumprimos nossa missão? Essa é uma pergunta capciosa, cuja resposta é bem mais complicada do que um simples “sim” ou “não”… O que sabemos é que o Valle Chacabuco foi doado ao governo chileno exatamente no período em que estávamos na região e toda a área que percorremos a pé será transformada no futuro próximo no Parque Nacional Patagônia. Nosso roteiro um dia será considerado “oficial” e receberá visitantes de todo canto do mundo. Mas nós fizemos tudo antes dessa fama e antes dessa notoriedade… Então acho que podemos nos considerar “exploradores”, né?

Leia o relato completo e veja mais fotos da viagem no blog da Kalapalo Editora!

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