A cultura escondida pelo caminho de Cusco para Nasca

Percorrendo os 650 km que separavam Cusco de Nasca, tivemos a exata noção da singularidade da cultura peruana. O colorido de suas roupas, o olhar expressivo de seu povo, a simplicidade das comunidades e a riqueza dos costumes locais nos mostraram o esplendor de uma cultura que sobreviveu intacta ao mundo moderno.

Nunca antes havíamos cruzado um percurso com tanto sobe e desce. Por quatro vezes, nós alternamos entre dois e quatro mil metros acima do nível do mar. A quantidade de curvas era incalculável e, a cada vez que girávamos o volante do carro para uma direção, um cenário grandioso se descortinava para nós.

A Feira de Compone Terra Adentro Cultura Peruana SPOT Blog

A primeira grande surpresa deste caminho aconteceu a pouco mais de trinta e cinco quilômetros de Cusco, na pequenina cidade de Compone. Dirigíamos tranquilamente quando, do lado direito da estrada, percebemos uma movimentação e tanto. Era o dia em que toda a cidade se reunia na Feira Agropecuária de Compone. Tinha de tudo imaginável e inimaginável para venda: frutas, verduras, legumes, comidas típicas, artesanatos, insetos, vacas, lhamas, alpacas, ovelhas e mais uma infinidade de produtos.

Ficamos por algumas horas caminhando entre as barracas, experimentando as especiarias peruanas, observando os costumes e fotografando esta tradicional feira andina. Ao ponto de registrar esta cultura tão singular foi uma das experiência mais intensas da viagem, por outro lado, fotografar as pessoas ao natural foi uma das tarefas um tanto quanto desafiante. O momento perfeito aparecia e, em poucos segundos, ia embora da mesma forma que vinha. Em um piscar de olhos, uma cena que nunca mais se repetiria perante nós, simplesmente desaparecia.

Menina na Feira de Compone Terra Adentro Cultura Peruana SPOT Blog

Assim, somente após horas de trabalho árduo conseguimos registrar a intensidade daquele momento. Levaremos para sempre estes rostos, estes gestos e estas pessoas conosco. Logo nos demos conta de que o caminho ainda era longo e tínhamos que partir. Sabíamos que não seria possível concluir este trajeto em um dia e decidimos pernoitar em Abancay.

Antes mesmo de chegar na cidade, quando passávamos a mais de quatro mil e setecentos metros de altitude, vimos um movimento fora da estrada. Eram três pequenos garotos que cuidavam de um grupo de alpacas. Paramos o carro e logo fomos conversar com eles. Receosos, os meninos não nos respondiam, somente apontavam na direção das alpacas. Tentamos novamente e nada.

Um encontro para toda a eternidade nos Andes Peruano Terra Adentro Cultura Peruana SPOT Blog

Um tempo depois, percebemos que, enquanto conversavam entre si, eles não falavam espanhol, mas sim quéchua, um dos idiomas oficiais do Peru. Por meio de gestos, pedimos para fotografá-los. Quando tiramos a nossa câmera da mochila, percebemos que eles nunca antes haviam visto aquele objeto. Com olhos curiosos, fitavam atentos a câmera, sem saber o que se passava.

Na manhã seguinte, após uma boa noite de sono em Abancay, saímos cedo, pois tínhamos mais de quatrocentos quilômetros de muito sobe e desce pela frente. Havíamos atingido as imediações do último platô no final de tarde. A tempestade que vinha da cordilheira se juntou com o sol do litoral e o resultado foi sobrenatural. Um anoitecer de intensos tons alaranjados, contrastando com as nuvens escuras que cobriam as montanhas.

O alaranjado tomava conta da paisagem Terra Adentro Cultura Peruana SPOT Blog

Lá embaixo, onde o sol ainda reinava, estava o nosso próximo destino. A misteriosa região de Nasca, terra das figuras mais enigmáticas do mundo. Tempos depois nos reencontramos com a Cordilheira dos Andes, já em terras equatorianas. E por ela seguimos até a Colômbia, de onde nos despedimos da América do Sul e começamos a nova etapa de nossa volta ao mundo de carro pela América Central.

Nossa aventura de carro pelo mundo e outras fascinantes histórias podem ser acompanhadas também em nosso site www.terraadentro.com.

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