Asa-Delta no Cerrado Brasileiro | Aventuras de Alipio LoyolaAlipio Loyola blog spot asa-delta

 

Desde que comecei a voar de asa-delta, a simples descoberta de que era possível decolar em determinado ponto e navegar livre por correntes do ar e cobrir centenas de quilômetros, gerou em mim um fascínio até então sem igual em qualquer outro esporte. Me lembro como se fosse hoje: ouvia histórias de pilotos da década de 1980 contando como era a experiência de se depararem com dias especiais, às vezes inesperados, que os levavam a distâncias acima de 100km e pousos em locais jamais planejados ou mesmo imaginados.

 

Voar grandes distâncias, por vezes em territórios desconhecidos, tem seu preço. Assim, a parte mais interessante dessas histórias muitas vezes era sobre o resgate do piloto ao final do voo. O personagem conhecido como ‘resgate’ pode ser desde um motorista especializado contratado até um amigo ou namorada; que fica com a responsabilidade de acompanhar o voo até o local de pouso. A comunicação por rádio ajuda a manter a proximidade, mas nem sempre é eficiente, variando conforme a rota do voo e as estradas disponíveis. Em épocas sem telefonia móvel ou GPS, o piloto tinha quase obrigação de tentar pousar próximo a estradas movimentadas, em fazendas com presença de pessoas ou, preferencialmente, perto de cidades. Mas nem sempre era assim.

 

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Lembro de relatos de pilotos que carregavam fichas de telefone público nos bolsos e tinham um número de telefone previamente combinado para ligarem – muitas vezes, do bar mais próximo da rampa, que funcionava como uma espécie de ‘central’ dos resgates. Os motoristas saíam rumo ao destino informado só quando recebiam a ligação. A única certeza dos voadores era de terem que esperar por horas e o risco de ter que passar uma noite selvagem ao lado da asa-delta sempre existia. Dependendo do local de voo, aliás, se meter nas clássicas ‘roubadas’ acontece com frequência até hoje…

 

Definitivamente não existe um dia de voo de ‘cross country’ igual ao outro. Apesar de toda a tecnologia e segurança disponíveis hoje, cada dia em que nos lançamos nesse fluido invisível que é o ar, tem o potencial de se tornar uma aventura imprevisível – e isso ajuda a tornar essa vertente a mais fascinante e mais procurada.

 

A ERA DO ‘TEMPO REAL’

 

Os tempos mudaram. O esporte evoluiu e hoje os voos de 200, 300 ou até 400km são cada vez mais comuns. Os equipamentos são verdadeiras flechas que atingem mais de 100km/h de velocidade máxima. Se consideramos os momentos em que o deslocamento é interrompido para girar nas térmicas e ganhar altura, é possível realizar grandes distâncias a velocidades médias acima de 50km/h em dias bons. Isso pode tornar a comunicação e toda a operação do resgate ainda mais complexos.

 

É aí que entra a tecnologia, com papel fundamental de tornar essas aventuras aéreas não só mais seguras, mas principalmente mais eficientes. Não é exagero algum destacar o primeiro SPOT Messenger (o primeiro equipamento SPOT) como o principal agente dessa revolução no voo livre de ‘cross country’.

 

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Sempre enxerguei o SPOT como uma ferramenta de segurança fundamental para qualquer esporte de aventura. Costumo carregar durante escaladas, trilhas ou mesmo em produções audiovisuais na natureza. Mas no voo livre, o aparelho vai além do uso em uma necessidade eventual, assumindo papel fundamental na rotina do esporte, chegando a influenciar até mesmo no desempenho dos praticantes.

 

Qualquer piloto já passou por uma situação semelhante: o dia está excelente e você está sozinho em voo, sem contato com ninguém e prestes a cruzar determinado local mais remoto, de resgate duvidoso – uma floresta, uma cadeia de montanhas, um rio sem qualquer ponte próxima. Um dia de térmicas fortes pode minguar em questão de minutos e demandar um pouso antecipado; e ninguém quer dormir na ‘roubada’. Neste tipo de situação, é inevitável desativar momentaneamente o ‘modo pássaro’ no cérebro e as decisões passarem a considerar também como seria um eventual resgate, que pode tomar conta de uma noite inteira. Você pode estar confiante com as nuvens à sua frente e acreditando na sua intuição de que vai dar certo, inconscientemente não quer aceitar a chance de acabar em um local sem sinal de celular, sem pessoas para ajudar ou, pior, sem acesso por terra.

 

Hoje posso dizer que nessas horas eu normalmente sigo em frente sem preocupações. Confio plenamente no aparelhinho laranja que está sempre ao alcance da minha mão, piscando junto aos outros instrumentos de navegação. Não escaparemos de eventuais pousos e ‘Terras de Ninguém’, caronas em tratores, pernoites em redes de solidários fazendeiros e muita caminhada carregando peso… sei que posso até acabar me complicando um pouco mais, mas, sem dúvida, em algum momento retornarei ao meu carro, pois uma lista de pelo menos cinco pessoas saberá a coordenada exata do meu pouso – seja lá onde ele for.

 

Tudo fica mais prazeroso e, pelo menos para mim, o voo livre gira em torno do puro prazer. Não é raro que este tipo de decisão, este ‘destrave’ psicológico, seja capaz de garantir horas a mais de voo, mais quilômetros ou a chegada no ‘goal’ de uma prova de campeonato. Isso não tem preço.

 

alipio loyola spot gen3 voando asa-delta

 

Por esse e outros motivos, há anos recomendo o uso do SPOT para qualquer piloto, desde aqueles recém-formados. Acho verdadeiramente que já pode fazer parte do kit básico de eletrônicos, ao lado do rádio, do variômetro e do GPS. Por um valor super acessível, o voador ganha a parceria de uma série de ‘olhos’ que orbitam a Terra e nunca o deixam na mão.

 

Somos privilegiados por poder voar de asa-delta neste momento. Como se não bastassem os aliados tecnológicos, o esporte é cada vez mais seguro e atrai muita gente legal. Os equipamentos não param e evoluir e os pilotos são cada vez mais técnicos e conscientes. As competições, confederações e clubes se desenvolvem e empurram a modalidade para o futuro.

 

Estamos prontos para o futuro. Estamos #ProntosParaAventura!

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