No veleiro da Volvo Ocean Race 2018

No veleiro com Karina Oliani Volvo Ocean Race SPOT Blog

Voltei de uma longa viagem que foi de Fiji, passou pela Califórnia e terminou nas rochosas canadenses, diretamente para o sul do Brasil, mais precisamente Itajaí (SC), em uma das provas de volta ao mundo mais conhecidas do planeta: a Volvo Ocean Race, onde os competidores atravessam vários países de veleiro.

A competição iniciou em outubro do ano passado, no município espanhol de Alicante; depois, seguiu a cidade que está na moda no mundo inteiro: Lisboa. Os trechos que as velas percorrem são chamados de “pernas” (legs), algumas delas com duração de até três semanas na imensidão do mar, estando apenas na companhia dos tripulantes do veleiro… As águas do oceano com seu humor imprevisível, o céu azul ora claro de sol ou escuro de chuvas torrenciais e nada mais além disso. As pernas seguintes fizeram os velejadores conhecerem localidades como Cidade do Cabo (África do Sul), Melbourne (Austrália), Hong Kong, Guangzhou (China), Auckland (Nova Zelândia) e nos últimos dias a parada foi a cidade catarinense de Itajaí. Tudo o que vou contar neste texto se trata de coisas que eu vi e vivi, algumas na sua totalidade e outras apenas com prévia de experiência. O que eu posso dizer? Não é nada fácil.

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A embarcação — popularmente falando — é um veleiro de tecnologia de ponta que mede 65 pés (19,812 metros). A disputa, que conta com sete veleiros, se encerrou em Haia (Holanda) em julho deste ano, passando por Newport (Estados Unidos), Cardiff (País de Gales) e Gotemburgo (Suécia). A tripulação de cada veleiro pode contar com apenas sete pessoas (o número pode aumentar se houver alguma mulher a bordo), cada uma com uma função específica a bordo. E esse ano todas as tripulações contaram com representantes do sexo feminino! Cada veleiro custa cerca de 5 milhões de euros, e justamente por isso todas as equipes são patrocinadas.

Se com essa cifra você pensa que são embarcações de luxo, se enganou. Há um item ausente em todos os barcos: chuveiro. Algo horripilante de se ouvir em uma cultura como a nossa acostumada com banhos diários! Como algumas das pernas envolve ficar três semanas em alto mar, muitas vezes é esse o tempo que as pessoas ficam sem banho. Salvo uma exceção, que era quando chovia, fazendo com que todo mundo se sentisse criança naquela oportunidade em que a natureza era quem promovia a limpeza da pele com água que não fosse salgada.

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Desde 1973, quando foi realizada a primeira prova — ainda com o nome de Whitbread Round the World Race —, a Volvo Ocean Race é aquela ocasião em que, durante a competição, os atletas ficam em constante tensão de redefinir os limites do que é possível ou não. Ficar sem banho é fichinha perto da incrível perda de peso dos atletas. Há casos em que o emagrecimento entre cada perna chega a ser de mais de 10kg. Todos que tem conhecimentos mais avançados sabem que as causas para isso estão relacionadas com dois fatores que vão além da insana atividade física: alimentação e tempo de sono no nosso repouso diário. A comida é toda liofilizada, que é mais recomendável por questão de segurança alimentar, nutricional e praticidade. O corpo sente a diferença e responde imediatamente no consumo desse tipo de alimento que é o mais recomendado para atletas de esportes de alto risco e praticado em áreas distantes de estruturas com restaurantes com alimentação mais “normal”.

O tempo de sono chega a ser cruel, apesar de necessário. Há um esquema de revezamento que implica em velejar por quatro horas e dormir por outras quatro. Mas, se houver alguma situação de emergência no veleiro ou manobra que necessite de mais pessoas, então todos são chamados para ajudar e devem colaborar mesmo que seja seu turno de repouso. Complicado, não?

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Agora imagina essa rotina por nove meses seguidos! As pausas por longos dias nas cidades já citadas são obrigatórias justamente para que todos se recuperem dos desgastes físico e mental que a Volvo Ocean Race provoca. Se no meio do caminho alguma equipe, por inúmeras razões, se perde ou precisa acionar uma equipe de resgate em uma emergência, é necessário que tenham a bordo um equipamento como o SPOT. Afinal, mandar coordenadas precisas para quem pode acionar ajuda em áreas tão remotas é algo altamente decisivo em uma missão de salvar vidas, onde minuto pode ser a diferença para tudo acabar bem.

Por essa atenção e pela grande utilidade para quem curte esse estilo de vida mesmo sabendo dos riscos, que me orgulho em ser parceira de empresas como a SPOT, que me auxilia no meu trabalho como documentarista de aventuras e médica especializada em resgate em áreas consideradas remotas.

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Também tenho o maior orgulho de ser embaixadora da Volvo no Brasil, que incentiva o meu trabalho de conscientização ecológica tomando inclusive atitudes elogiáveis no evento — como banir copos plásticos em todos os dias da programação, promover a assinatura do Manifesto Clean Seas pelo prefeito de Itajai, apoiar a equipe Turn The Tide on Plastic (algo como “Mares Limpos: o mar não está para plástico” em tradução livre) e oportunizar visitas guiadas para cerca de 10 mil estudantes da região que percorreram o que foi chamado de “estações educacionais”, que usavam de tecnologia e interatividade para melhor compreensão das mensagens e despertar a consciência ambiental que tanto precisamos.

Tenho a certeza que o momento mais emocionante presenciado pelo público de 434 mil pessoas foi tomar conhecimento de um triste fato que foi o falecimento de um integrante de um dos veleiros em alto mar. A homenagem feita a este atleta em Itajaí foi de marejar não apenas a pele, mas também os olhos. Nós que fazemos esportes extremos conhecemos bem o risco que corremos, mas na maior parte das vezes temos mais medo de não viver a vida que sonhamos do que propriamente, medo da morte. E foi ao ver a determinação dos colegas de tripulação em honrar a memória do amigo ao decidirem continuar a prova por ele que percebi que muitas vezes a gente consegue localizar o espírito esportivo mesmo sem precisar apertar o botão de algum equipamento… Basta que sejam acionados nossos corações, mentes e almas.

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