Um mar de lixo, é isso que queremos deixar para as próximas gerações?

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O artigo de hoje para o SPOT Blog escrevi enquanto estava visitando o belíssimo arquipélago de Fernando de Noronha. Pensando em como é belo o nosso planeta, e não é a toa que recebe o nome de Planeta Água. Mais de 70% da superfície da Terra é coberta por água.

No mês de dezembro, vimos que foi decretado que o Arquipélago de Fernando de Noronha é o primeiro lugar no Brasil a proibir o uso e a venda de isopor e plásticos descartáveis. Estamos demorando para perceber o dano que o uso indiscriminado e o descarte impróprio dos plásticos está causando em nossos rios e mares. O fato é triste, e se continuarmos no mesmo ritmo, em 2050 teremos mais plásticos do que peixes nos oceanos.

O desenvolvimento do plástico representou uma rápida transformação tecnológica da sociedade, contribuindo para inúmeros avanços. Desde pequenas atividades domésticas, como guardar um alimento, até a composição de naves espaciais que nos permitiram explorar melhor nosso universo.

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O reverso dessa moeda chama-se resíduo! O lixo proveniente do plástico vem sendo o responsável pela morte de inúmeras espécies marinhas e de aves e, hoje, é encontrado até na água “potável” que o ser humano bebe. 

Só a demanda global por garrafas plásticas é suficiente para representar o tamanho do problema que enfrentamos: a cada minuto, um milhão de garrafas plásticas são vendidas em todo mundo; por ano consumimos cerca de 500 bilhões delas, segundo os dados da Euromonitor, que realizou esse levantamento a pedido do jornal britânico The Guardian.

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Num estudo recente publicado em todo o mundo, foi determinado que mais de 93% dos bebês entre 3 e 15 meses apresentam uma quantidade significativa e alarmante de Bisfenol A na urina. As mães mal sabem que estão contaminando os seus filhos com Bisfenol A, porque todos já estamos contaminados pelo plástico que geramos.

O lixo plástico tem um impacto real no nosso organismo e nos oceanos. Um pássaro com habitat marinho foi encontrado morto com 276 pedaços de plástico no estômago. Um zoo plâncton, base da cadeia alimentar da vida marinha, come plástico por engano. Tartarugas, baleias, golfinhos, enfim, são mais de 1 milhão de animais marinhos que morrem devido ao nosso descaso com o meio ambiente. O problema está mais do que evidente e demanda ações urgentíssimas.

Pra quem não conhece, hoje temos a Grande Porção de Lixo do Pacífico. É uma “ilha” de lixo flutuante, com 1.6 milhões de km² de área! Equivalente a 3 Franças, com 87 mil toneladas. E por mais assustador que possa parecer, representa, apenas, uma margem de todo o descarte plástico que tem como destino final nossos mares. Lembramos: apenas 30% do plástico descartado nos oceanos vai para a superfície (a “ilha”), a maior parte afunda, como um Iceberg.

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Foto: Caroline Power

Pare e pense, é isso mesmo que queremos deixar pra próximas gerações? Um mar de plástico pra eles resolverem? Eu mesma, nesse final de semana, no litoral de São Paulo, aproveitando o mar, parei e recolhi diversos descartáveis da praia.

Percebendo a formação desse mar de lixo, que coloca a nossa saúde e o futuro de nossas crianças em jogo, decidi escrever e sugerir iniciativas que possam mudar essa realidade. Desafio cada um que estiver lendo esse texto a escolher pelo menos 5 hábitos (listados abaixo) e repassar as suas famílias:

1) Leve sua própria sacola retornável quando for ao mercado;

2) Recuse plásticos descartáveis, seja em copos, pratos para comer ou sacolas do mercado.

3) Não use canudinhos plásticos;

4) Na sua casa, coloque um filtro de água e evite sempre que possível o uso de garrafas PET;

5) Cobre do seu supermercado local ou restaurante o uso de materiais e embalagens reutilizáveis e sustentáveis;

6) Leve sua própria garrafa, copo ou caneca para a escola, trabalho, avião ou festinha, seja um exemplo para outras pessoas;

7) Ao ir no supermercado, compre produtos a granel ou produtos que tenha a opção de refil, evitando mais plástico das embalagens;

8) Separe o seu lixo orgânico e molhado dos reciclados. Procure saber pra onde os reciclados do seu bairro são encaminhados. Caso não seja destinado a um posto de reciclagem, leve você mesmo o lixo limpo reciclado até um posto de reciclagem;

9) Ao lavar uma roupa, lembre que ela lança milhares de partículas na água, ou seja, sua roupa precisa mesmo ser lavada agora?;

10) Participe e faça ações que promovam a limpeza de praias, os famosos “Beach Cleanings”; catar o lixo plástico durante a trilha na montanha, em lagos e rios;

11) Não compre cotonetes que tenham haste de plástico;

12) Se você é uma pessoa muito consumista, reveja os seus conceitos. 99% dos produtos que compramos são jogados fora com menos de 6 meses de uso. Você precisa mesmo disso?

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