A 1ª brasileira no K2: Karina Oliani em mais uma vitória

k2 escalada

Post enviado pela embaixadora Karina Oliani, após se tornar a primeira mulher brasileira a conquistar o K2. 🏆

Sou movida por desafios, e estar conectada com a natureza é fundamental para minha vida. Eu preciso dessa energia, desse contato. Em situações de perigo e força me sinto muito mais viva.

Sou médica e me especializei em Medicina de Emergência e Resgate em Áreas Remotas. Mas desafios ao ar livre sempre foram minha paixão. Por conta disso já participei de inúmeras expedições: no mar, na montanha, na selva, no deserto… Escalei o Everest 2 vezes – pela face Sul em 2013 e pela face Norte em 2017. Amo mergulhar, e já estive em todos os oceanos com os maiores predadores. 

Em paralelo, tenho uma produtora de conteúdo audiovisual e já produzi quadros nos programas “Fantástico” e “Esporte Espetacular”, da Rede Globo, fui apresentadora e guia do reality “Desafio Celebridades” e “Missão Extrema” no canal Discovery Brasil.

Há mais de quatro anos venho tentando realizar o sonho de escalar o K2, considerada a montanha mais difícil e perigosa da Terra. Um ano não consegui por conta de trabalho, outro por falta de patrocínio, no outro, fiquei bem doente depois de ser mordida por um carrapato. Mas quando acumula essa vontade por tanto tempo, você não desiste facilmente!

montanha escalada

Nem mentalmente e nem fisicamente essa expedição foi tranquila pra mim. Como disse, passei o ano de 2018 lutando contra a Doença de Lyme, transmitida por carrapatos causada pela bactéria Borrelia burgdorferi. Ainda estou tomando medicamentos. Mas por conta da diminuição do oxigênio durante a escalada, praticamente não senti os efeitos da doença, acredito que a Borrelia não gostou da falta de oxigênio. 

O K2 é uma montanha lindíssima, muito impressionante e que sempre me atraiu. Talvez porque ela representa todo desafio que um escalador espera e muito mais. Ao todo foram 50 dias de expedição.

O K2 está situado na Cordilheira do Karakoram, que é uma extensão da Cordilheira do Himalaia. A montanha faz divisa entre Paquistão e China. O K2 foi apelidado de “A Montanha Selvagem”, e um a cada cinco alpinistas que tentaram chegar ao seu cume faleceu.

Está localizada num local tão ermo e inacessível que só foi descoberta por mapeamento científico em 1904; e só foi escalada pela primeira vez 50 anos depois, por uma equipe italiana. Em 2000, Waldemar Niclevicz foi o primeiro e único brasileiro até então a ter conquistado o cume do K2. Fui a 2ª pessoa e a 1ª mulher.

Chegamos ao campo base depois de oito dias de trekking passando por vilarejos paquistaneses e regiões completamente inóspitas. O K2, definitivamente, não é o tipo de lugar onde você se cansa e vai embora para casa. Para sair de lá, tivemos que caminhar 120 quilômetros por uma trilha extremamente complexa com gelo, neve, sedimento glaciário, rochas, pequenos desertos e rios. Tudo isso para chegar à metrópole local, chamada Askole, que possui 200 habitantes e só dá para chegar com veículos 4×4.

k2 acampamento base

Em seguida, começamos o 1º ciclo de aclimatação, seguido de 4 a 5 dias de descanso. A aclimatação é extremamente importante para o corpo começar a se adaptar às altas altitudes e prevenir efeitos colaterais mais graves. É um período onde você vai colocando o seu corpo em um ambiente com pouco oxigênio aos poucos. Assim, sua medula entende que precisa produzir mais células vermelhas para carregar o pouco oxigênio disponível.

O K2 não é um lugar para principiantes, e é a mente quem mais trabalha nesta situação. Em montanhas de alta altitude, 20% do sucesso é físico, e o restante é o seu psicológico. Em montanhas como o K2, você lida com muitos riscos de morte, com resgates, fica sem comunicação, sem muito o que fazer, e isso pode ir minando sua mente.

Por isso, eu e meu parceiro nessa escalada, o montanhista Maximo Kausch, procuramos levar a expedição em uma ‘vibe positiva’, sem cobranças. Nós tínhamos preocupações, claro, mas tentamos fazer tudo de forma tranquila, ver o que ia dar… Vamos conseguir? Ótimo. Se não, tudo bem também…

k2 acampamento

Sabemos que a expedição é muito mais que o cume. Passamos por paisagens lindas, vimos montanhas completamente desconhecidas, conheci pessoas incríveis, passei perrengues inimagináveis e claro, em cada ponto desses apertei uma das 14 mensagens predefinidas do meu SPOT X. 

Partirmos para o ataque ao cume com outros 118 escaladores durante a madrugada em 17 de julho. Mas neste dia, quando já estávamos próximos do topo, uma avalanche varreu a montanha, ferindo um Sherpa e levando duas das cordas fixas necessárias para prosseguir com o restante da escalada. A missão teve que ser abortada e todos retornaram ao campo base. A avalanche fez com que, dos 120 alpinistas que iriam tentar o cume nesta temporada, apenas 18 decidissem continuar com a missão.

escalada

Depois da primeira tentativa de ataque ao cume, comecei a sentir que meu pulmão estava encharcando, isto é, um início de edema pulmonar, comum em altitudes tao extremas assim, já que não nos permitirmos o descanso necessário e já voltamos a subir.

Em medicina de montanha, o primeiro remédio nesse caso é a Nifedipina e depois, o Viagra, pois ajudam os vasos dos pulmões relaxarem, evitando a contração provocada pela falta de oxigênio e a hipertensão pulmonar, consequentemente. 

Mesmo exaustos, apenas 2 dias depois de chegar ao campo base, decidimos subir novamente e fazer o cume na outra janela de tempo que abriu. Afinal, poderia ser a ultima! Geralmente no K2 não há muitas janelas de cume por temporada. A persistência, nesse caso, foi a chave do nosso sucesso. no dia 25 de agosto completou exato um mês que eu apertei o botão do meu Spot X com a mensagem pre programada:

“Chegamos ao topo do K2!”

E foi assim que todos ficaram sabendo da nossa conquista da segunda montanha mais alta do mundo, de 8.611 metros de altitude. Como praticamente tudo na vida, até o objetivo final existe um processo, nossa expedição foi recheada de histórias, aprendizados e aventuras.

montanhismo escalada ceu

Minha expedição ao K2 contou com patrocínio de Volvo Cars, Pulsar Invest, John John, Outback Steakhouse e Gillette Venus.
E o apoio da SPOT, Canon, GoPro HERO7, Puma e The North Face. E sou eternamente grata a eles por terem acreditado nesse sonho e no meu potencial.

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1 Comment

  1. Danilo disse:

    Espetacular conquista, não sou montanhista mas curto muito esse cenário!

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