Karina Oliani entrevista Maximo Kausch

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Maximo Kausch e Karina Oliani na expedição ao K2

Eu sempre gosto de compartilhar minhas histórias e aventuras. A vida se torna mais gostosa ao lado de pessoas que vibram nossas conquistas e que participam de bons momentos. Por isso, decidi entrevistar com exclusividade o Maximo Kausch, um grande amigo e querido meu, para falarmos um pouco de como são as nossas aventuras e tirar algumas dúvidas.

Para apresentar, o Maximo é montanhista argentino-brasileiro, começou a fazer alta montanha há 20 anos e escalava em rocha bem antes disso, com 15 anos de idade, ou seja, aprontava desde pequeno! Ele está no Guiness Book – O livro dos Recordes como o montanhista que escalou o maior número de montanhas acima de 6 mil metros

K: Por que você começou a escalar?

M: Eu me atraí muito pelas aventuras. Isso me definiu quem eu sou hoje. Aqui na cidade é muito complicado ficar, e na montanha me sinto mais vivo.

K: Quem te ensinou a escalar?

M: Eu sempre quis testar, comecei com rocha no interior de São Paulo, então depois foi num passo natural. Sempre tive curiosidade. Ninguém acabou me ensinando.

K: E para quem quer começar a escalar? Quais dicas você pode dar?

M: Goste muito e se dedique! Não é um esporte que você evolui muito rápido. Você demora um pouco para evoluir, então tem que gostar muito primeiro. A dedicação é a chave para o sucesso, e ele não vem fácil. O jeito que eu comecei foi indo para montanhas, me dei mal em situações ruins. O mais fácil é ir com alguém que já conhece montanhas, para conseguir evoluir e não passar por situações perigosas.

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Maximo Kausch na expedição ao K2

K: E quais dicas para quem for começar em relação à equipamentos?

M: Por mais que pareça estranho, o equipamento não é a prioridade. A prioridade, a primeira coisa que você tem que fazer é ir em uma montanha, sinta o momento, veja como você se sente, para assim, depois, você conseguir pensar em um equipamento. Equipamento dá até pra alugar.

K: Exato! Assim todos conseguem depois comprar sabendo melhor. A pessoa vai entender o que funciona para ela e o que não funciona. Conta para a gente qual foi a montanha mais bonita ou mais legal que você já escalou?  

M: Eu acho que todas as montanhas me atraem de alguma forma. Uma região que gosto muito é no Peru. É diferente, tem vezes que eu volto na mesma montanha e às vezes é feia ou bonita. Não consigo pontuar num lugar só.

K: E qual perrengue que você passou e pensou “sem dúvida eu vou morrer”?

M: Ano passado eu passei por uma dificuldade. Estava escalando, abrindo a rota, e uma parte de uma placa deslocou, de 30 por 30, e caiu em cima da gente. Fiquei enterrado e fiquei respirando por um espaço muito pequeno. Quanto mais tempo passa, mais tempo a gente ganha habilidade de esquecer os perrengues e os problemas.

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K: Isso, o bom é deixar só as lembranças boas. E para finalizar, acredito que seja a dúvida de todos: como surgiu a ideia de escalar todas as montanhas de 6 mil metros, dos Andes?

M: É uma coisa que nunca tinha sido feita, e eu queria fazer algo inovador e diferente. Coincidiu numa época e surgiu essa oportunidade, quis saber: “quantas montanhas consigo escalar sem parar?” E foi numa época que em dois meses eu fiz 30 montanhas de 6 mil metros sem parar. Foi um desafio. Isso acabou virando uma série na RedBull chamada “Andes 6K+”.

Queria agradecer à entrevista ao Maximo, que concedeu com todo carinho para nós. E espero que tenha servido de inspiração para muitos que querem começar, ou para aqueles que já estão na área.

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